Aff…

Não sou farinha de fazer hóstia…

(talvez um dia a gente se encontre
em um outro blog qualquer)

Janeiro é o mês das poucas opções para quem não tem TV a cabo. A programação da TV aberta, no chamado “horário nobre”, é simplesmente um lixo: uma novela que não te acrescenta nada, um reality show insuportável, uma pseudo-apresentadora com reportagens sensacionalistas, um ratinho ainda tentando fazer graça, entre outras bobagens. Até a programação da MTV entrou em ritmo de verão e não é todo dia que o canal apresenta algo que se aproveite. Mas enfim, vez por outra, a gente acaba encontrando alguma coisa que valha a pena. Foi o que aconteceu nessa semana, quando passei pela Cultura e um filme italiano me chamou a atenção: um menino (Mirco) sobe em uma banqueta para pegar uma espingarda pendurada na parede, de repente, o tombo, o tiro e cacos de vidro. Na cena seguinte, um consultório oftalmológico, a visão afetada e a partida para uma escola especial em Gênova. Assim começa Rosso come il cielo (traduzido literalmente como Vermelho como o céu), um filme cativante do tipo “o pior cego é aquele que não quer ver” e que apresenta um final, no mínimo, intrigante.
Naquele dia, eu dei sorte. A pergunta que fica é… até quando?

Dele eu já li Ensaio da Paixão, Juliano Pavollini, Trapo e Gran Circo das Américas. E adorei todos, sem exceção. Trapo acho que li umas três vezes, Juliano, duas, Ensaio da Paixão, uma e o Gran Circo – cuja história eu não lembro mais – uma. Certa vez (eu ainda morava em Curitiba), eu estava chegando em casa e encontrei a Sônia no elevador:
– Hummmmm, O fotógrafo? Eu gosto dele.
– Ah sim, ganhei de uma amiga minha. Não conhecia o autor.
– Eu acho que ele é catarinense, mas virou “bixo de Curitiba”. Tá gostando?
– Ótimo. Estou quase terminando. Se você quiser, eu te empresto depois.
– Tudo bem.
Eu nunca cheguei a emprestar o livro, ficou na conversa mesmo. E recentemente estive em um sebo aqui em Piracicaba e encontrei um outro livro dele: O Filho Eterno. Das duas uma: ou eu estou muito velho e crítico ou então… aff… O livro pode até ter sido premiado, mas eu não consegui passar do terceiro capítulo. Achei a narrativa muito lenta, cansativa, retórica demais, às vezes. Eu até tentei insistir mais um pouco (“quem sabe eu pego o embalo e mudo de opinião?”). Nada feito. O livro conseguiu me vencer. Agora sei por que o livro parecia tão novo para ser vendido em um sebo. Acredito que quem o comprou também sentiu-se um pouco decepcionado.

São as flores do outono,
Que na espiral da vida,
Entre uma curva e outra,
Vislumbram a sua voz,
Respiram o seu cheiro,
Acordam nos seus sonhos,
Transpiram as suas lágrimas,
Até a próxima estação…